A culpa

Enquanto carregamos a menor e a mais inconsciente culpa, não nos abrimos à gratificação plena. Mais que isso, haverá algo interno sempre conduzindo nossa atitude de modo a atrair, inconscientemente, o desprazer e a insatisfação. 

 

A culpa nasce a partir de uma construção cultural (normalmente religiosa) e cada núcleo social possui, de uma forma ou de outra, os seus pecados, a serem purificados pelo sofrimento ou pela penitência. Assim podemos explicar o que nos limita ou nos impede de experienciar a satisfação plena.

Quando não conquistamos algo que desejamos é porque, na verdade, acreditamos que não merecemos. Agir de acordo com a nossa consciência e fazer o que realmente acreditamos ser correto ajuda mas nã é tudo. Existe um julgamento interno inconsciente que nos condena e 

nos pune insconscientemente.

No piloto automático do dia a dia não somos capazes de perceber nossas pequenas autocorrupçōes; chibatadas de autoflagelo. Quando nos dedicamos no entanto ao caminho do autoconhecimento, seja através da meditação, da psicoterapia ou da solitude, podemos ter mais clareza sobre esses processos. As respostas chegam. O inimigo desconhecido se torna familiar porque podemos reconhecer os valores e a moral da nossa família ou do nosso meio na nossa culpa, finalmente revelada. 

 

Podemos lidar mais facilmente com as adversidades rechaçando a culpa ou o comportamento condenado. Afastamos a culpa à medida que atualizamos, como pessoas maduras, as regras internalizadas na infância. A autocondenação e a autopunição se tornam cada vez mais escassas, ao tempo em que nos alinhamos com nossas motivações mais profundas, as que dão sentido à existência e trazem paz.