Hipertensão arterial: cuidado

 

O estilo de vida de uma pessoa hipertensa é contagiante, apesar de ela não saber nem desejar.

 

A convivência com um hipertenso configura-se como danosa sobretudo quando o mesmo exerce algum papel de figura de autoridade. Essa figura desvirtuará ainda mais as pessoas ao seu redor caso os ganhos secundários de uma vida desregulada (estressada, workaholic, rígida ou obstinada) apareçam como objetos de sedução.

 

O poder e as conquistas materiais corrompem inconscientemente a mente tranquila quando se tornam a medida do sucesso. Convivemos com quem queremos ou com quem nos provê algo, no entanto se esse algo for subjetivamente tornado imprescindível, nos tornamos escravos dessa convivência, o que acontece com frequência diante dos valores de uma sociedade exacerbadamente capitalista. Assim nos tornamos novas vítimas do estilo de vida hipertenso e portanto da hipertensão arterial.

Os mecanismos de defesa psíquica, tão conhecidos na teoria psicanalítica, foram revistos por Wilhelm Reich e colocados sob uma perspectiva mais ampla. Ele chamou de caráter o nosso modo de ser defensivo, que se enrijeceu diante de situações traumáticas primitivas. Para Reich acontece analogamente à defesa psíquica, a defesa somática, que ele chama de couraça. A hipertensão arterial é um encouraçamento e aparece como a expressão no corpo de um comportamento defensivo neurótico. A tensão arterial, assim como a tensão muscular está intimamente ligada à tensão nervosa.

 

A multifatoriedade de qualquer patologia deve, obviamente, ser analisada. A intoxicação alimentar através de uma dieta hipersódica pode favorecer o quadro de hipertensão arterial, assim como a herança genética. O problema é que a herança genética é constantemente confundida com a herança comportamental, transmitida pela convivência. Como normalmente é na família que se aprende o comportamento, tende-se a vincular as semelhanças familiares à genética. Como diria John B. Watson, pai do behaviorismo, a atitude hipertensa diante da vida, assim como a rigidez consigo e com os demais, é aprendida no convívio familiar e pode ser desaprendida mediante novos imputs. Assim quebramos o determinismo genético e somos favorecidos.